

Nunca senti tanta angústia jogando algo. Essa foi a obra que me fez perceber o quanto um apocalipse zumbi realmente não é legal de se viver.





Jogar a versão HD de um jogo de 2001 foi um desafio, demorei a me acostumar com a câmera fixa... Fora esse percalço, houve muito mais percalços, mas todos sendo parte da experiência de explorar/sobreviver à Silent Hill. Tirando o elefante branco da sala, a história é inacreditável de boa, com um plot twist inesquecível e atmosfera enlouquecedora. A trama avança de maneira impecável, afundando cada vez mais na psique em luto de James, nosso protagonista. A cidade em si é um espetáculo à parte. Ela é simples, misteriosa, coberta por neblina e perigos a cada esquina. Cada local tem sua própria história e, embora não seja aparente à primeira vista, cada detalhe do jogo (outros personagens, inimigos, objetos) tem uma ligação profunda com James. Quanto à gameplay, fiquei impressionado com a evolução natural que é enfrentar cada desafio. São mecânicas de 25 anos atrás, muitas delas descontinuadas, contudo, nenhuma é impeditiva e, juntas, trazem um charme muito cativante ao jogo.

Um jogo com aspecto cinematográfico e uma obra sobre zumbis que trabalha seus dilemas da forma mais humana possível. A narrativa segue a clássica aventura do ponto A ao ponto B, mas a verdadeira jornada é a de um homem superando seu luto. Toda a gameplay é muito fluida com mecânicas muito assertivas para dar dinamismo aos combates, sobrevivência e exploração. Ver as cidades abandonadas por 20 anos e ambientes tomados pelo fungo cordyceps deixa a experiência ainda mais surpreendente, com perigos que não se limitam aos infectados e mostram a frieza que o ser humano pode ter na busca pela sobrevivência. A relação entre Joel e Ellie é construída de maneira tão natural que transforma o desfecho do jogo em um grito desesperado de alguém que está disposto a fazer de tudo para não sentir sua maior dor novamente. The Last of Us é uma obra completa em história, personagens e interatividade, justificando toda a aclamação recebida ao longo dos anos.






